terça-feira, 4 de maio de 2010



Outro passado



Nada pondera sem o fio da quimera santa
nos teus olhos de fogueira sou queimado
além do vulto do passado,
além do ultimo trem para o subito enlace
canto para a noite e ouço o soluço, o vagido.

Solto no tempo e a mercê do tempo
volto os dias na ampulheta da ângustia
num momento onde eramos um altar de glória,
Onde o alto céu nos parecia intimo.

Nos vitrais quebrados,
Na neblina que trazia o frio supremo,
a fumaça do ultimo cigarro
E um elemento de alta rotatividade nas entranhas de penumbra.

É triste tentar trazer-te de volta!!!
Pois falta o mesmo ar no peito envelhecido,
Me falta as novidades do mundo erradicado
A boa noticia das marés de inverno.

Quando foi que a tua essência fez-se borra?
Vimos demais o quanto o destino nos puniu
O estar foi deixando de estar conosco,
O cambaleio da nossa separação foi inevitavel, oh vida suja!

Porque o tempo não parou para ouvir a suplica?
porque o céu mudou de cor e as vestes do espirito nos sufoca?

quarta-feira, 28 de abril de 2010



AZUL


Aqueles pretos olhos

Porto de porcelana

E os fios cortantes do cabelo ao rosto,

Quando sentido na minha pele excitada:

A pele tocada era entorpecente.

Aquele olhar doente e estranho

Cheios de becos mal iluminados,

De casas apagadas

E camas vazias.

Desejos que procuram os seus olhos.

Não me atrai o corpo

E sim o mundo submerso por essas águas de carvão.

Um olhar obscuro é de certa forma,

Uma presença indireta.

Como olhos cerrados,

Dia que termina,

Quarto apagado ou noite sem estrela.

Eram os olhos mais sem vida

A água que talvez

Fizesse-me molhar o rosto apenas

O fluido surreal cheio de maldades

Mas que goza e se revela numa flor de cor azul.



(Terei lembranças que você nunca saberá)

sexta-feira, 19 de março de 2010


Boate sound


(antes)

A fumaça dançante do café quente, o cigarro posto numa mesa de centro a uma meia luz. É o que vejo nesta sala sóbria. suas unhas vermelhas vulgares...
Ressaltando no escuro.
O cabelo em meu colo, forma violenta de usar a boca e a avidez com que escapa do jorro quente, orgasmo.


(hoje)

Daqui da janela nada me atiça, a boate sound com seus gays, viciados e prostitutas não contagiam, nem me incitam ao sexo como de costume.


Seu vestido verde solto, o salto médio... A aproximação constante dos olhos, mero instinto ou um novo desejo.No balcão, peço outra dose de vodca, o barman parece entender o que penso a seu respeito e esboça uma estranha tristeza e era uma sexta-feira.


Faz um ano que as coisas não vão bem. Pedidos perdidos, telefones manchados e sua presença cada vez mais vaga.O tempo me destrói, me mastiga e me engole aos poucos e aos poucos me embriago, animando-me um pouco com duas ou três músicas de David Bowie.


Uma garota me pede dinheiro, percebo no ato o quanto aquela vagabunda havia bebido na noite. Falo em seu ouvido “discretamente” pra que me aguarde no corredor dos fundos.


Ela sai, não diz nada e segue depois na direção citada por mim.Já cheguei pondo a pau pra fora!
Catei umas cédulas no fundo dos bolsos, Arranquei sua calcinha com violência, suspendi o vestido e a comi, ali mesmo.

De costas pra mim.
Um dos seios pra fora, segurava o dinheiro com a mão cerrada, a cara pra parede, abaixando com freqüência, sem forças para suportar o golpe brusco das estocadas.

A fumaça dançante do cigarro e a mesma falta de vergonha na cara. Volto pra casa com uma calcinha no bolso, um sorriso triste no rosto e uma marca de dentes no braço.

Bruno Muniz


(Assista Cristiane F.)

segunda-feira, 15 de março de 2010




SANTO AMARO EM TREVAS!!!



(Clique na imagem p/ ampliar)





FOTOGRAFIA DE PAKDERM

sexta-feira, 12 de março de 2010






(click e amplie)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


Essa tragédia descrita em pergaminhos

Esse destroço consignado na porta da alma

Eleva em luzes, senhor do silêncio

E acolhe o pranto dos náufragos.


Degenerando o regenerado

Descrevendo o passo do descrente

Lamentando por bocas que te obedecem

E sendo, por direito, o meu olhar atravessado.


Eu não quero saber de nada

Foda-se!

Você e sua personalidade

Seus problemas não são os meus

Eu. Sou. O meu problema.


Lua virada por toda a estrada

Minha estadia é feita de não submeter-me a hostis

O crespo e sedoso encaixe desses olhos

Ceda-me de fluidos que roubas na falta de roupas.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


À volta

A alegria de criança deu lugar à solidão de um homem.
A ilusão de nome, sonhos
Transformara-se em ferida crônica.

Até onde solidão se estende?
Quando a felicidade há de haver este dano?

Corpos que na noite são fisgados de forma tão sutil,
Tão má
Que o próprio cansaço os entrega.
Hoje:
É o dia que também caminha
Quando se para, ele segue
Quando se nasce, começa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010





Fernando Pessoa


2-8-1933




Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.

Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.


Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!


O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2009




Queria ter-te
Queria ser teu.
Queria ser eu
Queria tirar-te de mim.

Queria ouvi-la dizer
Que a saudade é verdadeira e pura
Queria iluminá-la
Com a luz desses olhos tristes
No silêncio desta casa triste.

Servo até o fim
Deste acervo de totalidade.
Sigo a sua ausência
Sou fiel a tua fria indiferença.

Queria querer ser isso mesmo
De um modo tão cruel e submisso
Insistir para que teu gosto e cheiro em mim fosse um bem
E não mais serpentear a tua procura.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009



O CACHIMBO DA PAZ, IMITANDO LONGFELLOW

I

E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
O Poderoso, veio à planície florida,
Ao prado imenso rente ao cerro montanhoso,
E ali, sobre as escarpas da Rubra Pedreira,
O espaço dominado e ardendo à luz primeira,
Eis que se ergueu, onipotente e vigoroso.

E convocou então os povos incontáveis,
Mais do que as ervas e as areias infindáveis.
Com sua mão tremenda uma laca arrancou
À rocha, e fez com ela um cachimbo disforme;
Depois, junto ao regato, num bambual enorme,
Para servir de tubo, um caniço apanhou.

Para enchê-lo tomou um bálsamo oloroso;
E, criador da Energia, o Todo-Poderoso,
De pé. Eis que acendeu, qual divino fanal,
O Cachimbo da Paz. De pé sobre a Pedreira,
Fumou, soberbo e ereto, ardendo à luz primeira.
E para as tribos esse era o grande sinal.

E em círculos subia a fumaça sagrada
No ar doce da manhã, sensual e perfumada.
E agora o que se via era um sombrio véu;
Logo o vapor se fez mais azulado e intenso,
Depois branqueou, sempre engrossando no ar suspenso,
Para extinguir-se aos pés da abóbada do céu.

Dos distantes confins das montanhas Rochosas,
Desde os lagos do Norte às ondas impetuosas,
De Tawasentha, a várzea amena e sem igual,
A Tuscaloosa, erma floresta trescalante,
Avisou-se o sinal e a fumaça ondulante
Lentamente a subir no incêndio matinal.

Os Profetas diziam: "Vedes essa estria
De vapores, que, igual ao braço que chefia,
Oscila e se recorta em negro no ar vermelho?
É Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Que proclama por toda a planície florida:
Guerreiros meus, eu vos convoco ao real conselho!"

Pelas sendas do rio ou pelo ermo poeirento,
Pelas quatro vertentes de onde sopra o vento,
Vós, fiéis guerreiros, vós das tribos em porfia,
Entendendo o sinal da nuvem caminheira,
Viestes dóceis até junto à Rubra Pedreira
Onde sempre Gitchi Manitou vos ouvia.

Os guerreiros de pé se erguiam na paisagem,
Armas na mão, a face impávida e selvagem,
Matizados tal como uma folha outonal;
O ódio que à luta impele a todos os mortais,
O ódio que ardia nos olhares ancestrais
No olhar lhes acendia uma lama fatal.

Em seus olhos brilhava a maldição da guerra.
E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Terra,
Tinha por eles uma infinda compaixão,
Como um pai extremoso, indisposto às disputas,
Que vê seus filhos a morder-se em árduas lutas.
Tal Gitchi Manitou por toda uma nação.

E ergueu sobre eles sua forte mão direita
Para dobrar-lhes a alma e a natureza estreita,
Para esfriar-lhe a febre à sombra dessa mão;
Depois lhes disse, a voz solene e majestosa,
Comparável à voz de uma água tormentosa,
Que tomba e ecoa mais hedionda que um trovão:

II

"Minha posteridade, odiosa mais querida!
Ó filhos meus, ouvi a divina razão!
É Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Quem vos fala! O que em vossa planície florida
Pôs a rena, o castor, a raposa e o bisão.

Eu vos tornei a caça e a pesca generosas;
Por que se fez então o caçador tão vil?
De pássaros povoei as várzeas mais lodosas;
Por que não sois felizes, crianças belicosas?
Por que ao vizinho o homem dá caça e faz-se hostil?

Bem longe estou de vossa arena de inimigos.
Promessas e orações de vós não ouço mais!
Domina vosso gênio o amor pelos perigos,
E vossa força está na união. Quais bons amigos
Vivei, pois, e aprendei a vos manter em paz.

Um Profeta virá de minha mão em breve
Para vos dar conforto e convosco sofrer,
E seu verbo fará a existência mais leve;
Mas se a menosprezá-lo algum de vós se atreve,
Tereis então, filhos malditos, que morrer!

Às ondas apagai a cor dos ódios vãos.
O caniço é abundante e a rocha não se esfaz;
Cada um pode entalhar o seu cachimbo. Às mãos
Limpai o sangue! Agora vivei como irmãos,
E unidos, pois, fumais o Cachimbo da Paz!"

III

E eles então, depondo as armas sobre a terra,
Lavam nas águas as brutais cores da guerra
Que às frontes lhes ardiam triunfantes e cruéis.
Cada um faz seu cachimbo e às margens do regato
Colhe um longo caniço e dá-lhe o corte exato.
E o Espírito sorria ante os seus filhos fiéis.

Todos se foram, a alma quieta e enternecida,
E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Uma vez mais galgou a escada celestial.
- Através do vapor que em nuvens se desdobra
Ergueu-se o Poderoso, ébrio de sua obra,
Sublime, perfumado, infinito, triunfal!

(Charles Baudelaire)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


ARTE DE AMAR

A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.



(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


www.amapagupatsycazumba.blogspot.com

quinta-feira, 12 de novembro de 2009





Uma estranha tristeza me pesa os ombros

A matinê passou para alguns amigos

Ficaram pra trás suas garotas,

Suas tardes, noites...

Aos poucos viram a vida pesar nos olhos já em cinza.


Nada trará o encanto de antes

Aos poucos a felicidade foi banida, ameaçada

E agora a tragédia é viva

Tem nome e ainda se apaixona.


Rego minhas flores mortas

Mas pelo mecanismo que pela fé

Se não o fizer o que farei?

Eu também morri, mas, foi aos poucos.


Vivo triste num canto do mundo

Minhas lágrimas secaram, transformaram-se em pedra.

Eu queria ser uma pedra!

Que a onda bate e leva fragmentos.


Essa idéia de existir me assusta

Estou morto e continuo vivo

Quando quero estar vivo visualizo a morte

E uma estranha tristeza me pesa os ombros.

domingo, 18 de outubro de 2009



Superego


Viva a tristeza que amiúde faz
Das pessoas piadas,
Comicamente desgraçadas,
Quando recitadas por um psiquiatra
Alusivamente a uma música desarmoniosa
Logo pensamentos
Oníricos
Latentes
E flamejantes
Cegam meus ouvidos
No momento em que toco o silêncio
Tortuoso da
Madrugada sem fim.
Imagino o que será o pôr-do-sol.


(Lifeson Padilha)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009



Do filme: help me Eros


Se soubesse que você não estava sendo sincero comigo,

Não teria me apaixonado.

Se me amava,

Por que me deixou?

Agora, só posso me culpar.

Mas não consigo parar de pensar em você.

Não consigo parar de te amar.

Não posso evitar,

Apenas manter esse amor em segredo

E enterrá-lo profundamente em meu coração.

Se eu soubesse que você não estava sendo verdadeiro comigo,


Não teria me apaixonado!




quarta-feira, 30 de setembro de 2009



Questing


Nada importa nesta hora
Por que hora nada é.
Hora passa e a hora é essa
E se você não quer, cai fora!

Cansei de ser legal
Fiz um carnaval quando você chegou
Na quarta feira de cinzas:
Eu era as cinzas.

Você queimou meu filme,
Pisou no meu desejo
Era só um beijo, uma troca
Era só agir da forma certa
Mas você me esfaqueou em vários pontos.

Você foi fria!
Apesar do verão não ser a minha praia
Você foi fria,
Agora saia!

terça-feira, 29 de setembro de 2009




(Entretenimento perigoso)

Bares, boates, raves...

Falsas luzes dentro da noite
Cegam nossos olhos diante de um perigo covarde.

(Entretenimento duvidoso)
Cinema, TV, programa predileto...
E na escuridão o mundo desaba na lucidez de seres perversos.

Cada tribo mergulhada num mar de catástrofe
Drogas, aversão, perversão, pré-conceito.
Sexo, drogas e rock n’ roll!
Navegantes da nau moderna e vitimas da massa atual.

Para onde vamos neste dia escuro?
Novamente lhe pergunto.

De olhos fechados
Felizes com o sexo na madrugada ardente
Inutilizados, perdidos, mas gozando a vida enquanto eles não chegam por aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009




Primeiro relato



Não necessito de fama,

Eu não quero a beleza

As palavras que não saem da boca são palavras frias

A escrita é glacial!

Porque a vida é um inverno.


Eu não escrevo pra você

Não faço nada por ninguém.


Não desejo popularidade

São apenas relatos, auto-ajuda

Um prazer involuntário de relatar a crise,

Publicar a desordem intima.


Eu estive aqui

Permaneci calado, em desespero

Numa fase ruim e foram todas, na maioria.


Cauterizo e automutilo

Transformo o caminhar num abraço forçado.


Pessoas são só pessoas

Paixões não teriam como significar muito

Me desculpe!

Mas...

Não há uma maneira de levar a sério.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009





Manhã de sol


Morrer aos poucos
Desprezar tudo que nos é oferecido
Pois nada disso é um recomeço
Nada será reconhecido.

Morrer sem medo
Das desesperanças retraídas
Das intolerâncias da vida
Da sua traição sempre rasa.

Morrer na praia,
Morrer de fome,
Morrer de tédio;
Chamando pelo interfone.

Manhã ou noite
Sorrindo ou não.
Parece que eu não sei quem é você
E do desprezo que nos é oferecido.

B. Muniz

quarta-feira, 5 de agosto de 2009




Lua clara


Talvez um dia te olhe com outros olhos

Com certeza isso acontecerá!!

Vou sentir saudade

Como sinto em tom baixo,

Quando a lua é alta

Ilumina aqui, o nosso aqui.

Talvez um dia você fique estranha

E eu não te reconheça dentro de você

Eu, já de antemão:

Deixei em ti o que causaste em mim

E sai sem bater a porta.

Pensei errado ao ver em ti, beleza

Beleza erótica existe, beleza padrão

Mas, beleza que embebede

Talvez não tenha suportado mais que algumas horas.

A paixão foi cruel

“amei” e muito, fiz o possível

Hoje, nada me modifica

E as mesmas noites

Pulam do passado pro futuro.