segunda-feira, 21 de dezembro de 2009




Queria ter-te
Queria ser teu.
Queria ser eu
Queria tirar-te de mim.

Queria ouvi-la dizer
Que a saudade é verdadeira e pura
Queria iluminá-la
Com a luz desses olhos tristes
No silêncio desta casa triste.

Servo até o fim
Deste acervo de totalidade.
Sigo a sua ausência
Sou fiel a tua fria indiferença.

Queria querer ser isso mesmo
De um modo tão cruel e submisso
Insistir para que teu gosto e cheiro em mim fosse um bem
E não mais serpentear a tua procura.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009



O CACHIMBO DA PAZ, IMITANDO LONGFELLOW

I

E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
O Poderoso, veio à planície florida,
Ao prado imenso rente ao cerro montanhoso,
E ali, sobre as escarpas da Rubra Pedreira,
O espaço dominado e ardendo à luz primeira,
Eis que se ergueu, onipotente e vigoroso.

E convocou então os povos incontáveis,
Mais do que as ervas e as areias infindáveis.
Com sua mão tremenda uma laca arrancou
À rocha, e fez com ela um cachimbo disforme;
Depois, junto ao regato, num bambual enorme,
Para servir de tubo, um caniço apanhou.

Para enchê-lo tomou um bálsamo oloroso;
E, criador da Energia, o Todo-Poderoso,
De pé. Eis que acendeu, qual divino fanal,
O Cachimbo da Paz. De pé sobre a Pedreira,
Fumou, soberbo e ereto, ardendo à luz primeira.
E para as tribos esse era o grande sinal.

E em círculos subia a fumaça sagrada
No ar doce da manhã, sensual e perfumada.
E agora o que se via era um sombrio véu;
Logo o vapor se fez mais azulado e intenso,
Depois branqueou, sempre engrossando no ar suspenso,
Para extinguir-se aos pés da abóbada do céu.

Dos distantes confins das montanhas Rochosas,
Desde os lagos do Norte às ondas impetuosas,
De Tawasentha, a várzea amena e sem igual,
A Tuscaloosa, erma floresta trescalante,
Avisou-se o sinal e a fumaça ondulante
Lentamente a subir no incêndio matinal.

Os Profetas diziam: "Vedes essa estria
De vapores, que, igual ao braço que chefia,
Oscila e se recorta em negro no ar vermelho?
É Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Que proclama por toda a planície florida:
Guerreiros meus, eu vos convoco ao real conselho!"

Pelas sendas do rio ou pelo ermo poeirento,
Pelas quatro vertentes de onde sopra o vento,
Vós, fiéis guerreiros, vós das tribos em porfia,
Entendendo o sinal da nuvem caminheira,
Viestes dóceis até junto à Rubra Pedreira
Onde sempre Gitchi Manitou vos ouvia.

Os guerreiros de pé se erguiam na paisagem,
Armas na mão, a face impávida e selvagem,
Matizados tal como uma folha outonal;
O ódio que à luta impele a todos os mortais,
O ódio que ardia nos olhares ancestrais
No olhar lhes acendia uma lama fatal.

Em seus olhos brilhava a maldição da guerra.
E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Terra,
Tinha por eles uma infinda compaixão,
Como um pai extremoso, indisposto às disputas,
Que vê seus filhos a morder-se em árduas lutas.
Tal Gitchi Manitou por toda uma nação.

E ergueu sobre eles sua forte mão direita
Para dobrar-lhes a alma e a natureza estreita,
Para esfriar-lhe a febre à sombra dessa mão;
Depois lhes disse, a voz solene e majestosa,
Comparável à voz de uma água tormentosa,
Que tomba e ecoa mais hedionda que um trovão:

II

"Minha posteridade, odiosa mais querida!
Ó filhos meus, ouvi a divina razão!
É Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Quem vos fala! O que em vossa planície florida
Pôs a rena, o castor, a raposa e o bisão.

Eu vos tornei a caça e a pesca generosas;
Por que se fez então o caçador tão vil?
De pássaros povoei as várzeas mais lodosas;
Por que não sois felizes, crianças belicosas?
Por que ao vizinho o homem dá caça e faz-se hostil?

Bem longe estou de vossa arena de inimigos.
Promessas e orações de vós não ouço mais!
Domina vosso gênio o amor pelos perigos,
E vossa força está na união. Quais bons amigos
Vivei, pois, e aprendei a vos manter em paz.

Um Profeta virá de minha mão em breve
Para vos dar conforto e convosco sofrer,
E seu verbo fará a existência mais leve;
Mas se a menosprezá-lo algum de vós se atreve,
Tereis então, filhos malditos, que morrer!

Às ondas apagai a cor dos ódios vãos.
O caniço é abundante e a rocha não se esfaz;
Cada um pode entalhar o seu cachimbo. Às mãos
Limpai o sangue! Agora vivei como irmãos,
E unidos, pois, fumais o Cachimbo da Paz!"

III

E eles então, depondo as armas sobre a terra,
Lavam nas águas as brutais cores da guerra
Que às frontes lhes ardiam triunfantes e cruéis.
Cada um faz seu cachimbo e às margens do regato
Colhe um longo caniço e dá-lhe o corte exato.
E o Espírito sorria ante os seus filhos fiéis.

Todos se foram, a alma quieta e enternecida,
E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Uma vez mais galgou a escada celestial.
- Através do vapor que em nuvens se desdobra
Ergueu-se o Poderoso, ébrio de sua obra,
Sublime, perfumado, infinito, triunfal!

(Charles Baudelaire)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


ARTE DE AMAR

A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.



(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


www.amapagupatsycazumba.blogspot.com

quinta-feira, 12 de novembro de 2009





Uma estranha tristeza me pesa os ombros

A matinê passou para alguns amigos

Ficaram pra trás suas garotas,

Suas tardes, noites...

Aos poucos viram a vida pesar nos olhos já em cinza.


Nada trará o encanto de antes

Aos poucos a felicidade foi banida, ameaçada

E agora a tragédia é viva

Tem nome e ainda se apaixona.


Rego minhas flores mortas

Mas pelo mecanismo que pela fé

Se não o fizer o que farei?

Eu também morri, mas, foi aos poucos.


Vivo triste num canto do mundo

Minhas lágrimas secaram, transformaram-se em pedra.

Eu queria ser uma pedra!

Que a onda bate e leva fragmentos.


Essa idéia de existir me assusta

Estou morto e continuo vivo

Quando quero estar vivo visualizo a morte

E uma estranha tristeza me pesa os ombros.

domingo, 18 de outubro de 2009



Superego


Viva a tristeza que amiúde faz
Das pessoas piadas,
Comicamente desgraçadas,
Quando recitadas por um psiquiatra
Alusivamente a uma música desarmoniosa
Logo pensamentos
Oníricos
Latentes
E flamejantes
Cegam meus ouvidos
No momento em que toco o silêncio
Tortuoso da
Madrugada sem fim.
Imagino o que será o pôr-do-sol.


(Lifeson Padilha)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009



Do filme: help me Eros


Se soubesse que você não estava sendo sincero comigo,

Não teria me apaixonado.

Se me amava,

Por que me deixou?

Agora, só posso me culpar.

Mas não consigo parar de pensar em você.

Não consigo parar de te amar.

Não posso evitar,

Apenas manter esse amor em segredo

E enterrá-lo profundamente em meu coração.

Se eu soubesse que você não estava sendo verdadeiro comigo,


Não teria me apaixonado!




quarta-feira, 30 de setembro de 2009



Questing


Nada importa nesta hora
Por que hora nada é.
Hora passa e a hora é essa
E se você não quer, cai fora!

Cansei de ser legal
Fiz um carnaval quando você chegou
Na quarta feira de cinzas:
Eu era as cinzas.

Você queimou meu filme,
Pisou no meu desejo
Era só um beijo, uma troca
Era só agir da forma certa
Mas você me esfaqueou em vários pontos.

Você foi fria!
Apesar do verão não ser a minha praia
Você foi fria,
Agora saia!

terça-feira, 29 de setembro de 2009




(Entretenimento perigoso)

Bares, boates, raves...

Falsas luzes dentro da noite
Cegam nossos olhos diante de um perigo covarde.

(Entretenimento duvidoso)
Cinema, TV, programa predileto...
E na escuridão o mundo desaba na lucidez de seres perversos.

Cada tribo mergulhada num mar de catástrofe
Drogas, aversão, perversão, pré-conceito.
Sexo, drogas e rock n’ roll!
Navegantes da nau moderna e vitimas da massa atual.

Para onde vamos neste dia escuro?
Novamente lhe pergunto.

De olhos fechados
Felizes com o sexo na madrugada ardente
Inutilizados, perdidos, mas gozando a vida enquanto eles não chegam por aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009




Primeiro relato



Não necessito de fama,

Eu não quero a beleza

As palavras que não saem da boca são palavras frias

A escrita é glacial!

Porque a vida é um inverno.


Eu não escrevo pra você

Não faço nada por ninguém.


Não desejo popularidade

São apenas relatos, auto-ajuda

Um prazer involuntário de relatar a crise,

Publicar a desordem intima.


Eu estive aqui

Permaneci calado, em desespero

Numa fase ruim e foram todas, na maioria.


Cauterizo e automutilo

Transformo o caminhar num abraço forçado.


Pessoas são só pessoas

Paixões não teriam como significar muito

Me desculpe!

Mas...

Não há uma maneira de levar a sério.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009





Manhã de sol


Morrer aos poucos
Desprezar tudo que nos é oferecido
Pois nada disso é um recomeço
Nada será reconhecido.

Morrer sem medo
Das desesperanças retraídas
Das intolerâncias da vida
Da sua traição sempre rasa.

Morrer na praia,
Morrer de fome,
Morrer de tédio;
Chamando pelo interfone.

Manhã ou noite
Sorrindo ou não.
Parece que eu não sei quem é você
E do desprezo que nos é oferecido.

B. Muniz

quarta-feira, 5 de agosto de 2009




lua clara


Talvez um dia te olhe com outros olhos

Com certeza isso acontecerá!!

Vou sentir saudade

Como sinto em tom baixo,

Quando a lua é alta

Ilumina aqui, o nosso aqui.

Talvez um dia você fique estranha

E eu não te reconheça dentro de você

Eu, já de antemão:

Deixei em ti o que causaste em mim

E sai sem bater a porta.

Pensei errado ao ver em ti, beleza

Beleza erótica existe, beleza padrão

Mas, beleza que embebede

Talvez não tenha suportado mais que algumas horas.

A paixão foi cruel

“amei” e muito, fiz o possível

Hoje, nada me modifica

E as mesmas noites

Pulam do passado pro futuro.


segunda-feira, 27 de julho de 2009




Erotismo contemporâneo





A saliva toca a língua
Da outra menina de olhos puros
Elas se encontram
Roçam os seios uns nos outros
No carnaval furtivo das peles aquecidas.

Sem as roupas as bocetas se encontram
No toque sutil dos dedos
Lambem-se em variações.

O volume dividido entre as pernas
O liquido viscoso explodindo
E entre os dois orifícios:
A língua fala AFETO.

Olhos brilhantes
Corpos aquecidos
O pêlo áspero na pele depilada.

As meninas gozam
Sozinhas se beijam
Mordem-se, rasgam a pele com as unhas.



Bruno Muniz

quinta-feira, 23 de julho de 2009


La pasion


Estou vomitando a todo instante;
Meu corpo já não suporta a enorme quantidade de você em mim e transborda.
Meu corpo expulsa
Tudo que sai de mim é você
Acho que até o sangue me falta.

É de manhã...
Logo os primeiros raios avançam e alcançam os meus olhos
A primeira imagem que salta do escuro...
É a tua!
Lembro da forma como você anda
Penso nas coisas que você fala
Fico sentindo a distancia
A aurora sutil a iluminar os meus sentidos.

Os pássaros, as flores, a luminosidade vermelha
O vermelho da luxuria,
O vento, a pressa, o dia...
Longe de você. Talvez nem tanto.

Te expulso aos poucos de mim
E novas reações adentram pela circulação e no ar...
De repente tudo conspira a teu favor.

À noite a lua se transforma no teu rosto
A rua se transforma na distancia

No silencio eu me perco por estradas
E retorno mil vezes a tua porta.

(Bruno Muniz)


quarta-feira, 22 de julho de 2009



Fotografia intima

Se me fosse dado o direito
De ao meu lado seduzir teu instinto
De agregar meu hibrido e latente querer
Sem cerimônia:


Abrir-me-ia em expostos risos
Para atuar com intenso fervor
Na minha pronúncia perdida na tua muda boca.

Ponto de fuga, esboço
Traço cubista mais que perfeito
Desejo, desejo, desejo
Louco por beber da tua essência
Uma vibe após, além, infinita
Pois tú, era a estrela mais bonita.

O ultimo vapor para o vale das luzes
Há, mas que insano mundo!!
Insano momento para eternizar um dia.
Se “escutas” de mim a certeza de uma saudade
Sim, senti saudade com a madrugada fria.

Extasiantes “ais” secretos
Diluídos na distância os olhos cerram em sono
Em sonhos surreais uma iluminação astral me eleva
Para uma atmosfera com notas de pétalas a exalar teu cheiro efêmero.



terça-feira, 30 de junho de 2009



Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio…


Eu vi um sorriso morto,
Nos lábios mortos de uma coisa viva.

Preciso encontrar o controle
Já não sei onde posso chegar
Se dias já não são mais dias
E noites não me fazem esperar.

Contra capa do meu escuro
Lástima do mar caminho
Submerso com o tamanho frio
Entidades que afogo até o abandono.

Eu vi um sorriso morto numa foto
E eu queria morrer neste momento.


Á Ian Curtis


terça-feira, 16 de junho de 2009



the farewell of fire


A sua alegria me cedou tarde em finais de tardes

Assim como a sombra que rasteja como um escravo.

Lamento por ter conhecido vocês

Lamento por terem me conhecido

Iludido, estúpido, coerente

Lado a lado com malditos

Cretinos como eu, pessoas fodas demais.



Dos rostos mais puros aos mais tardios

Sentindo febre nos piores dias

Agonizante tema da maravilhosa vida

A tragédia escrita sempre foi vivida.

A vida é um laço pavoroso

Um lastimável tiro de cocaína

Um paraíso desejante

Um sabor de sangue e fraqueza.



Sentir dor está sendo raro como discos velhos

A não ser a dor que provoco quando tenso

Penso em decair, mas nunca!

Nuca serei um filho da puta.

Meu viver é hippie

E estou cansado

De vida em vida, saltando as poças

Daqui pra frente:

O norte me pertence!!


quarta-feira, 6 de maio de 2009



Irmãs (Bruno Muniz)

As duas.
Tem que ser as duas
Se não as tenho juntas
me sinto separado.
*******************
Bocas.
Uma só não me sacia
Uma só não me devora
Uma boca só não rola.
*******************
Sinto amor como ninguém
Duplificado, irônico e machista.
Amor por uma,
Amor pelo mesmo sangue da outra.
*******************
Em uma vejo fogo
Na outra encontro abrigo
Nos olhos de uma saudade
Nos olhos da outra, sentido.
*******************
Cárcere, corrosão
Paixão avassaladora e desmedida
Coração dividido e amante
Unção perigosa desmerecida.
********************

Frio das constelações mais distantes
Amor pelas duas, estrelas prediletas
Irmãs, imãs, algoz
Para uns lua e estrelas
Para mim dois sóis.

segunda-feira, 2 de março de 2009





distância singular



Estou ouvindo tua voz acima dos montes


Um grito semelhante a um sussurro


Um salto que a distância não permite


Uma lembrança que a cabeça insiste.






Volto aos lugares


Em todas as esquinas


Sinto o exagero e me asseguro


De segurar a onda da saudade quando sangra.






Já nem sei o que desejo


Se desejo não desejar,


Se não desejo voltar atrás...


Ou se solto a tua mão num mar de gente.



(Bruno Muniz)




segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Alvarez de Azevedo (Adeus meus sonhos)



Adeus, Meus Sonhos!

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia

Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!



(ALVAREZ DE AZEVEDO)


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008


Charles Peixoto


Diário de bagos

quando você se abaixa pra pegar um disco
com seu vestido curtinho
delicioso
aparece a calcinha no rego moreno da bunda
curto muito
meu olhar derrete de prazer
não há como enganar a evidência
desculpe o volume do lado esquerdo da calça sem cueca
com tesão não
se trinca
antes todos entendessem e se dedicassem de corpo e
cama

obs.: meu pau esquecidamente duro
cai no amolecimento.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008


Recordação (Cecília Meireles)

Agora, o cheiro áspero das flores
Leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.

Eram assim teus cabelos;
Tuas pestanas eram assim, finas e curvas.

As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
Tinham a mesma exalação de água secreta,
De talos molhados, de pólen,
De sepulcro e de ressurreição.

E as borboletas sem voz
Dançavam assim veludosamente.

Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
Tua boca de malmequer orvalhado,
E aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
Com suas estrelas e cruzes,
E muitas coisas tão estranhamente escritas
Nas suas nervuras nítidas de folha,
-- E INCOMPREENSÍVEIS, INCOMPREENSÍVEIS.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008





Holliwood red

Dividido e culpado
Volto a dormir entorpecido.
Grito quando é dia
Amanhecendo negro entre as cores da vida.
“Hatful of hollow” Segue essa trajetória submersa
Copos vazios, alma lacrimosa
Juras de eterna afeição,
Nas ilusões e desvios do comportamento.
Flores vermelhas cortando a noite
Velas acesas no cemitério impuro
Juro ser útil à palavra,
Ao inutilizar o meu perfeito estado.
Dividido e culpado
Coroado, corroído
Cuspindo a excreção do cigarro
Hoje: Devo dormido durante horas.
Leva nos seus braços
Meu abraço transtornado
Meu olhar fora de foco
Meu fino comportamento diante de todos
O abismo que se abre agora:
Não, não é coisa nova
É um velho de barba e cabelos grisalhos.

Bruno Muniz

quarta-feira, 3 de setembro de 2008




Madame XI


Boca que nenhum encanto trará

desejo que por outro lado se destina

criada por pedaços extintos

feminina boca para bocas femininas.




O ouro do cabelo, a cicatriz

o tom de mar aberto que seus olhos trazem

flor predileta, espinhos venenosos

os homens por você, morrem

as mulheres ficam marcadas.



A intensidade radiante do seu rosto sem esforço toca lá no fundo

fragmenta qualquer muro

descongela qualquer corpo.



Você é lua nova no véu da noite

água marinha, turquesa e turmalina

uma sofisticada aparição exposta
de uma lua nova e remota.




bruno muniz

terça-feira, 19 de agosto de 2008


All star velho nos pés, calça preta, uma camisa preta de uma banda de Manchester e um cigarro entre os lábios, este sou eu.
muitas vezes vestido de outra forma, mas tenho a leve impressão de estar assim todos os dias.
viro a cara para a vida em alguns aspectos (a minha). todavia, acabei por descobrir que meu pau não foi feito pra subir para todas as mulheres, só para as melhores, ou seja: aquelas que despertem em mim uma atracão ou um motivo maior, que vá alem do instinto e do lado estético... físico...
deixo claro que não condeno pessoas que se encontram, transam e se reencontram um dia e transam de novo. não condeno, só não sou assim.
porque é tão legal comer todo mundo?
muitas vezes parecemos robôs programados para "meter e tirar" em qualquer orifício que se apresente, porque nos desfazemos de pessoas que nos traem?
essas pessoas também são programadas para "meter e tirar", essas pessoas também são traídas no oculto e obscuro intimo da personalidade humana. exigimos muito o que não podemos fazer e é por isso que a vida sexual anda tão amadora.
porque é tão difícil amar?
será que o amor existe?
existem tantos casamentos, tantas juras, tanta gente casada e apaixonada indo a motéis com outras pessoas. existem pessoas que acreditam possuir um amor eterno, no entanto se masturbam pensando em pessoas próximas ou se "aproximam" de um alguém desta forma tão criativa e anonima.
estes são os meus olhos vadios; observadores e nada conservadores. realistas e ignorantes.
eu já gostei de futebol, eu torci por um time. depois achei melhor ouvir
legião urbana. não tenho herpes, não gosto de camisinha, não sou pós graduado e não acredito no amor. eu vejo na humanidade o mesmo que a humanidade vê nos ratos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008





bruno*

Me perdoe!
Como eu fui idiota!

Sabe, é que eu nunca olhava as mensagens no orkut, porque você não me avisou?
Eu até estranhei o "resto de um poema"...

AGORA é que eu estou vendo as mensagens que você me mandou, sério! Eu ignorava aquela parte do orkut!
Nunca tinha visto nada por ali, porque a galera só mandava propaganda, convite pra comunidade, correntes... AGORA foi que eu vi as coisas lindas que você escreveu!

E sabe o que eu estou fazendo agora?
Enxugando as lágrimas que vieram ler as mensagens comigo, rsrs.

Poxa, eu não acredito que você disse isso! É claro que você tem valor pra mim, meu anjo!
Muito valor!! Muito!!

Eu é que não mereço o carinho que você me dá. Eu também TE AMO!!
Do meu jeito, mas te amo!

Eu estava certa: quando te olhava de longe na praça, abraçado com aquela menina...¬¬
sentia um ciúme tão grande! quando, naquele show atrás da igreja, ela foi te dizer alguma coisa no palco...lembra? acho que não, foi uma coisa tão irrelevante, mas eu fiquei olhando...
querendo ser ela rsrsrs. De forma que eu nem acreditei nas coisas que não param de acontecer, não acredito que você está gostando de mim. Ah, acredito quando estou otimista, eu te adoro!


Você foi o que de mais doce aconteceu naquelas férias, com meus avós doentes...eu tive tanto medo quando estava me despedindo de minha avó...com medo de ser a última vez que eu dei um beijo em sua testa, ela está muito doente, você me viu chorar?
Eu chorei muito, olhei a casa se afastando. Olhei o chafariz ficando pra trás, o bar vermelho, procurei seu rosto e não vi!
Também, eu já sou míope, e ainda mais chorando...só via os vultos
quando conseguia abrir os olhos. Minha vida aqui é outra. Outra.
Eu desliguei o celular no ônibus, por que sabia que ia dormir a viagem inteira e ia encher o saco da galera, ia acordar todo mundo, pensei ser melhor desligar.
Mas eu consegui encharcar o travesseiro. Adormeci naquela noite lutando pra não soluçar. Seria ruim se...(irmã) (na cadeira ao meu lado) ouvisse meu choro. Estava me sentindo sufocada.
Sufocada como me sentia ao seu lado e ao lado de... (o outro alguém)

Sim... (o outro alguém) me deixou mal, ele dizia estar gostando de mim também e isso me preocupou, eu não queria fazer ninguém sofrer, mas ele sofreu.
E você também.
E eu também.
É inevitável.

Mas isso é novo pra mim, não to acostumada com isso: alguém gostando de mim.
Eu que sempre fui mal-correspondida, nessas coisas de amor.
Eu não sabia como agir aí na Bahia, Bruno.
Olhava seu rosto, olhava... (outro alguém) me olhava... isso me deixava triste, você nem imagina.
Eu não queria que ele gostasse de mim, queria que ele me adorasse SÓ COMO UMA GRANDE AMIGA, nada mais que isso.
Foi tudo muito inusitado pra mim.
Mas... que é que eu vou fazer? Como diria Cazuza...
(risos)

Pois é, Bruninho...já escrevi demais.
Você vai acabar ficando com preguiça de ler, rs

Beijos e mais beijos, te adoro.


*não revelei a autoria desta carta por dar importância apenas ao seu conteúdo.

terça-feira, 12 de agosto de 2008






Carta ao poeta*



"preciso encontrar o medo para não ter medo de ter tristeza". Qual o mal que aflige o poeta e o menino (tão menino) bruno? Felicidade plena não há e o que nos enriquece é a dor, no entanto não estamos fadados do sofrimento. Chega de determinismos. Chega também de litertices poeta, tu não necessitas de ser um bicho esquisito para ser humanizado... sofremos nós em rios de sangue, porque somo 'todos', porque carregamos partículas dos outros em nós e isso é fascinante, portanto as ideias e sensações são universais.
Nada em verdade nos pertence...('nosso' corpo, 'nosso' rosto) tu não transforma a poesia em palavras, a poesia é que manifesta-se em ti deste modo. Tua parte feliz está em ti. Nunca nos outros, nunca em quem fala outras linguagens a não ser a dos teus olhos. quem sabe?
que o poeta viva amores reias (e nada de coisas subtendidas) seja simplesmente um homem.


adeus!

*não revelei a autoria desta carta por dar importância apenas ao seu conteúdo.

TRAUMA

O passado me põe corda no pescoço
Quando penso no tropeço:
Tento chegar “aos finalmentes”
Mas a dor inda não é o bastante

Ainda tenho forças pra me retrair.
O passado me põe arma na mão
E em seguida me põe na cabeça,
Que eu devo ser fraco
E põe a arma também.

O passado acabou comigo
Retirou um meio sorriso amarelo
E deu esse olhar cor de chumbo
Olhar tempestuoso!
Intransmissível e irreversível.
O passado é presente
O futuro é passado
Vivo trancado neste quarto
Vivo chorando com esses discos
O passado me deixou puto
O passado fodeu com tudo
Iluminou de breu o espírito
Fragmentou o bom senso e o senso crítico.

sábado, 9 de agosto de 2008

ESTRUTURAL


Queria chover no seu corpo
fertilizar tua pele.
Ver nascer dos seus olhos
Flores de encanto casto.

Famigerado grito que sufoca
o silencio da solidão,
que provoca
lembranças tuas,
o teu rosto
toma minha calma este encosto.

O vento da noite trás teu nome
aqui, o calor me consome
faz o que convém, domina
encanta, pisa, depois assassina.



Inimigo




Procurei pela noite a decisão decisiva
esses cantos vazios me lembram você.

Que era cheia de mistérios;
as vezes me olhava de forma bonita
em outras... me consumia de forma egoista.

Minhas lembranças ficaram no passado,
lembro de todas as fotos queimadas
juras eternas que morreram sem explicação
a emoção ridicula ao ver num velho livro,
nós, num domingo sujo de poeira.

Os dias aumentam a distância
se você está perto,
se nossos olhos se cruzam
tenho quase quase certeza de que não existo
talvez tenha ficado numa antiga tarde olhando a penumbra.

Ao meu lado você era triste
não entendia o que eu via
era um vicio silêncioso,
um desacreditar, uma repulsa
o amor, era uma falsa verdade.

A beleza etérea da vida adulta
a juventude morta dos cabelos brancos
Amores são mentiras!
Amores são prisões!
aos olhos, o desejo é casto
ao corpo, o desejo é vasto.