quarta-feira, 16 de dezembro de 2009



O CACHIMBO DA PAZ, IMITANDO LONGFELLOW

I

E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
O Poderoso, veio à planície florida,
Ao prado imenso rente ao cerro montanhoso,
E ali, sobre as escarpas da Rubra Pedreira,
O espaço dominado e ardendo à luz primeira,
Eis que se ergueu, onipotente e vigoroso.

E convocou então os povos incontáveis,
Mais do que as ervas e as areias infindáveis.
Com sua mão tremenda uma laca arrancou
À rocha, e fez com ela um cachimbo disforme;
Depois, junto ao regato, num bambual enorme,
Para servir de tubo, um caniço apanhou.

Para enchê-lo tomou um bálsamo oloroso;
E, criador da Energia, o Todo-Poderoso,
De pé. Eis que acendeu, qual divino fanal,
O Cachimbo da Paz. De pé sobre a Pedreira,
Fumou, soberbo e ereto, ardendo à luz primeira.
E para as tribos esse era o grande sinal.

E em círculos subia a fumaça sagrada
No ar doce da manhã, sensual e perfumada.
E agora o que se via era um sombrio véu;
Logo o vapor se fez mais azulado e intenso,
Depois branqueou, sempre engrossando no ar suspenso,
Para extinguir-se aos pés da abóbada do céu.

Dos distantes confins das montanhas Rochosas,
Desde os lagos do Norte às ondas impetuosas,
De Tawasentha, a várzea amena e sem igual,
A Tuscaloosa, erma floresta trescalante,
Avisou-se o sinal e a fumaça ondulante
Lentamente a subir no incêndio matinal.

Os Profetas diziam: "Vedes essa estria
De vapores, que, igual ao braço que chefia,
Oscila e se recorta em negro no ar vermelho?
É Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Que proclama por toda a planície florida:
Guerreiros meus, eu vos convoco ao real conselho!"

Pelas sendas do rio ou pelo ermo poeirento,
Pelas quatro vertentes de onde sopra o vento,
Vós, fiéis guerreiros, vós das tribos em porfia,
Entendendo o sinal da nuvem caminheira,
Viestes dóceis até junto à Rubra Pedreira
Onde sempre Gitchi Manitou vos ouvia.

Os guerreiros de pé se erguiam na paisagem,
Armas na mão, a face impávida e selvagem,
Matizados tal como uma folha outonal;
O ódio que à luta impele a todos os mortais,
O ódio que ardia nos olhares ancestrais
No olhar lhes acendia uma lama fatal.

Em seus olhos brilhava a maldição da guerra.
E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Terra,
Tinha por eles uma infinda compaixão,
Como um pai extremoso, indisposto às disputas,
Que vê seus filhos a morder-se em árduas lutas.
Tal Gitchi Manitou por toda uma nação.

E ergueu sobre eles sua forte mão direita
Para dobrar-lhes a alma e a natureza estreita,
Para esfriar-lhe a febre à sombra dessa mão;
Depois lhes disse, a voz solene e majestosa,
Comparável à voz de uma água tormentosa,
Que tomba e ecoa mais hedionda que um trovão:

II

"Minha posteridade, odiosa mais querida!
Ó filhos meus, ouvi a divina razão!
É Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Quem vos fala! O que em vossa planície florida
Pôs a rena, o castor, a raposa e o bisão.

Eu vos tornei a caça e a pesca generosas;
Por que se fez então o caçador tão vil?
De pássaros povoei as várzeas mais lodosas;
Por que não sois felizes, crianças belicosas?
Por que ao vizinho o homem dá caça e faz-se hostil?

Bem longe estou de vossa arena de inimigos.
Promessas e orações de vós não ouço mais!
Domina vosso gênio o amor pelos perigos,
E vossa força está na união. Quais bons amigos
Vivei, pois, e aprendei a vos manter em paz.

Um Profeta virá de minha mão em breve
Para vos dar conforto e convosco sofrer,
E seu verbo fará a existência mais leve;
Mas se a menosprezá-lo algum de vós se atreve,
Tereis então, filhos malditos, que morrer!

Às ondas apagai a cor dos ódios vãos.
O caniço é abundante e a rocha não se esfaz;
Cada um pode entalhar o seu cachimbo. Às mãos
Limpai o sangue! Agora vivei como irmãos,
E unidos, pois, fumais o Cachimbo da Paz!"

III

E eles então, depondo as armas sobre a terra,
Lavam nas águas as brutais cores da guerra
Que às frontes lhes ardiam triunfantes e cruéis.
Cada um faz seu cachimbo e às margens do regato
Colhe um longo caniço e dá-lhe o corte exato.
E o Espírito sorria ante os seus filhos fiéis.

Todos se foram, a alma quieta e enternecida,
E Gitchi Manitou, o Grão-Mestre da Vida,
Uma vez mais galgou a escada celestial.
- Através do vapor que em nuvens se desdobra
Ergueu-se o Poderoso, ébrio de sua obra,
Sublime, perfumado, infinito, triunfal!

(Charles Baudelaire)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


ARTE DE AMAR

A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.



(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


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quinta-feira, 12 de novembro de 2009





Uma estranha tristeza me pesa os ombros

A matinê passou para alguns amigos

Ficaram pra trás suas garotas,

Suas tardes, noites...

Aos poucos viram a vida pesar nos olhos já em cinza.


Nada trará o encanto de antes

Aos poucos a felicidade foi banida, ameaçada

E agora a tragédia é viva

Tem nome e ainda se apaixona.


Rego minhas flores mortas

Mas pelo mecanismo que pela fé

Se não o fizer o que farei?

Eu também morri, mas, foi aos poucos.


Vivo triste num canto do mundo

Minhas lágrimas secaram, transformaram-se em pedra.

Eu queria ser uma pedra!

Que a onda bate e leva fragmentos.


Essa idéia de existir me assusta

Estou morto e continuo vivo

Quando quero estar vivo visualizo a morte

E uma estranha tristeza me pesa os ombros.

domingo, 18 de outubro de 2009



Superego


Viva a tristeza que amiúde faz
Das pessoas piadas,
Comicamente desgraçadas,
Quando recitadas por um psiquiatra
Alusivamente a uma música desarmoniosa
Logo pensamentos
Oníricos
Latentes
E flamejantes
Cegam meus ouvidos
No momento em que toco o silêncio
Tortuoso da
Madrugada sem fim.
Imagino o que será o pôr-do-sol.


(Lifeson Padilha)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009



Do filme: help me Eros


Se soubesse que você não estava sendo sincero comigo,

Não teria me apaixonado.

Se me amava,

Por que me deixou?

Agora, só posso me culpar.

Mas não consigo parar de pensar em você.

Não consigo parar de te amar.

Não posso evitar,

Apenas manter esse amor em segredo

E enterrá-lo profundamente em meu coração.

Se eu soubesse que você não estava sendo verdadeiro comigo,


Não teria me apaixonado!




quarta-feira, 30 de setembro de 2009



Questing


Nada importa nesta hora
Por que hora nada é.
Hora passa e a hora é essa
E se você não quer, cai fora!

Cansei de ser legal
Fiz um carnaval quando você chegou
Na quarta feira de cinzas:
Eu era as cinzas.

Você queimou meu filme,
Pisou no meu desejo
Era só um beijo, uma troca
Era só agir da forma certa
Mas você me esfaqueou em vários pontos.

Você foi fria!
Apesar do verão não ser a minha praia
Você foi fria,
Agora saia!

terça-feira, 29 de setembro de 2009




(Entretenimento perigoso)

Bares, boates, raves...

Falsas luzes dentro da noite
Cegam nossos olhos diante de um perigo covarde.

(Entretenimento duvidoso)
Cinema, TV, programa predileto...
E na escuridão o mundo desaba na lucidez de seres perversos.

Cada tribo mergulhada num mar de catástrofe
Drogas, aversão, perversão, pré-conceito.
Sexo, drogas e rock n’ roll!
Navegantes da nau moderna e vitimas da massa atual.

Para onde vamos neste dia escuro?
Novamente lhe pergunto.

De olhos fechados
Felizes com o sexo na madrugada ardente
Inutilizados, perdidos, mas gozando a vida enquanto eles não chegam por aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009




Primeiro relato



Não necessito de fama,

Eu não quero a beleza

As palavras que não saem da boca são palavras frias

A escrita é glacial!

Porque a vida é um inverno.


Eu não escrevo pra você

Não faço nada por ninguém.


Não desejo popularidade

São apenas relatos, auto-ajuda

Um prazer involuntário de relatar a crise,

Publicar a desordem intima.


Eu estive aqui

Permaneci calado, em desespero

Numa fase ruim e foram todas, na maioria.


Cauterizo e automutilo

Transformo o caminhar num abraço forçado.


Pessoas são só pessoas

Paixões não teriam como significar muito

Me desculpe!

Mas...

Não há uma maneira de levar a sério.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009





Manhã de sol


Morrer aos poucos
Desprezar tudo que nos é oferecido
Pois nada disso é um recomeço
Nada será reconhecido.

Morrer sem medo
Das desesperanças retraídas
Das intolerâncias da vida
Da sua traição sempre rasa.

Morrer na praia,
Morrer de fome,
Morrer de tédio;
Chamando pelo interfone.

Manhã ou noite
Sorrindo ou não.
Parece que eu não sei quem é você
E do desprezo que nos é oferecido.

B. Muniz

quarta-feira, 5 de agosto de 2009




Lua clara


Talvez um dia te olhe com outros olhos

Com certeza isso acontecerá!!

Vou sentir saudade

Como sinto em tom baixo,

Quando a lua é alta

Ilumina aqui, o nosso aqui.

Talvez um dia você fique estranha

E eu não te reconheça dentro de você

Eu, já de antemão:

Deixei em ti o que causaste em mim

E sai sem bater a porta.

Pensei errado ao ver em ti, beleza

Beleza erótica existe, beleza padrão

Mas, beleza que embebede

Talvez não tenha suportado mais que algumas horas.

A paixão foi cruel

“amei” e muito, fiz o possível

Hoje, nada me modifica

E as mesmas noites

Pulam do passado pro futuro.


segunda-feira, 27 de julho de 2009




Erotismo contemporâneo





A saliva toca a língua
Da outra menina de olhos puros
Elas se encontram
Roçam os seios uns nos outros
No carnaval furtivo das peles aquecidas.

Sem as roupas as bocetas se encontram
No toque sutil dos dedos
Lambem-se em variações.

O volume dividido entre as pernas
O liquido viscoso explodindo
E entre os dois orifícios:
A língua fala AFETO.

Olhos brilhantes
Corpos aquecidos
O pêlo áspero na pele depilada.

As meninas gozam
Sozinhas se beijam
Mordem-se, rasgam a pele com as unhas.



Bruno Muniz

quinta-feira, 23 de julho de 2009


La pasion


Estou vomitando a todo instante;
Meu corpo já não suporta a enorme quantidade de você em mim e transborda.
Meu corpo expulsa
Tudo que sai de mim é você
Acho que até o sangue me falta.

É de manhã...
Logo os primeiros raios avançam e alcançam os meus olhos
A primeira imagem que salta do escuro...
É a tua!
Lembro da forma como você anda
Penso nas coisas que você fala
Fico sentindo a distancia
A aurora sutil a iluminar os meus sentidos.

Os pássaros, as flores, a luminosidade vermelha
O vermelho da luxuria,
O vento, a pressa, o dia...
Longe de você. Talvez nem tanto.

Te expulso aos poucos de mim
E novas reações adentram pela circulação e no ar...
De repente tudo conspira a teu favor.


À noite a lua se transforma no teu rosto
A rua se transforma na distancia

No silencio eu me perco por estradas
E retorno mil vezes a tua porta.

(Bruno Muniz)



quarta-feira, 22 de julho de 2009



Fotografia intima

Se me fosse dado o direito
De ao meu lado seduzir teu instinto
De agregar meu hibrido e latente querer
Sem cerimônia:


Abrir-me-ia em expostos risos
Para atuar com intenso fervor
Na minha pronúncia perdida na tua muda boca.

Ponto de fuga, esboço
Traço cubista mais que perfeito
Desejo, desejo, desejo
Louco por beber da tua essência
Uma vibe após, além, infinita

Pois tú, era a estrela mais bonita.

O ultimo vapor para o vale das luzes
Há, mas que insano mundo!!
Insano momento para eternizar um dia.
Se “escutas” de mim a certeza de uma saudade
Sim, senti saudade com a madrugada fria.

Extasiantes “ais” secretos
Diluídos na distância os olhos cerram em sono
Em sonhos surreais uma iluminação astral me eleva
Para uma atmosfera com notas de pétalas a exalar teu cheiro efêmero.



terça-feira, 30 de junho de 2009



Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio…


Eu vi um sorriso morto,
Nos lábios mortos de uma coisa viva.

Preciso encontrar o controle
Já não sei onde posso chegar
Se dias já não são mais dias
E noites não me fazem esperar.

Contra capa do meu escuro
Lástima do mar caminho
Submerso com o tamanho frio
Entidades que afogo até o abandono.

Eu vi um sorriso morto numa foto
E eu queria morrer neste momento.


(Á Ian Curtis)


terça-feira, 16 de junho de 2009



the farewell of fire


A sua alegria me cedou tarde em finais de tardes

Assim como a sombra que rasteja como um escravo.

Lamento por ter conhecido vocês

Lamento por terem me conhecido

Iludido, estúpido, coerente

Lado a lado com malditos

Cretinos como eu, pessoas fodas demais.



Dos rostos mais puros aos mais tardios

Sentindo febre nos piores dias

Agonizante tema da maravilhosa vida

A tragédia escrita sempre foi vivida.

A vida é um laço pavoroso

Um lastimável tiro de cocaína

Um paraíso desejante

Um sabor de sangue e fraqueza.



Sentir dor está sendo raro como discos velhos

A não ser a dor que provoco quando tenso

Penso em decair, mas nunca!

Nuca serei um filho da puta.

Meu viver é hippie

E estou cansado

De vida em vida, saltando as poças

Daqui pra frente:

O norte me pertence!!

quarta-feira, 6 de maio de 2009



Irmãs (Bruno Muniz)

As duas.
Tem que ser as duas
Se não as tenho juntas

me sinto separado.
*******************
Bocas.
Uma só não me sacia
Uma não me devora
Uma boca só não rola.
*******************
Sinto amor como ninguém

Duplificado, irônico e machista.

Amor por uma,
Amor pelo mesmo sangue da outra.
*******************
Em uma vejo fogo
Na outra encontro abrigo

Nos olhos de uma saudade
Nos olhos da outra, sentido.

********************

Cárcere, corrosão

Paixão avassaladora e desmedida
Coração dividido e amante
Unção perigosa desmerecida.

********************

Frio das constelações mais distantes
Amor pelas duas, estrelas prediletas
Irmãs, imãs, algoz
Para uns lua e estrelas

Para mim dois sóis.

segunda-feira, 2 de março de 2009





distância singular



Estou ouvindo tua voz acima dos montes


Um grito semelhante a um sussurro


Um salto que a distância não permite


Uma lembrança que a cabeça insiste.






Volto aos lugares


Em todas as esquinas


Sinto o exagero e me asseguro


De segurar a onda da saudade quando sangra.






Já nem sei o que desejo


Se desejo não desejar,


Se não desejo voltar atrás...


Ou se solto a tua mão num mar de gente.



(Bruno Muniz)




segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Alvarez de Azevedo (Adeus meus sonhos)



Adeus, Meus Sonhos!

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia

Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!



(ALVAREZ DE AZEVEDO)


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008


Charles Peixoto


Diário de bagos

quando você se abaixa pra pegar um disco
com seu vestido curtinho
delicioso
aparece a calcinha no rego moreno da bunda
curto muito
meu olhar derrete de prazer
não há como enganar a evidência
desculpe o volume do lado esquerdo da calça sem cueca
com tesão não
se trinca
antes todos entendessem e se dedicassem de corpo e
cama

obs.: meu pau esquecidamente duro
cai no amolecimento.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008


Recordação (Cecília Meireles)

Agora, o cheiro áspero das flores
Leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.

Eram assim teus cabelos;
Tuas pestanas eram assim, finas e curvas.

As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
Tinham a mesma exalação de água secreta,
De talos molhados, de pólen,
De sepulcro e de ressurreição.

E as borboletas sem voz
Dançavam assim veludosamente.

Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
Tua boca de malmequer orvalhado,
E aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
Com suas estrelas e cruzes,
E muitas coisas tão estranhamente escritas
Nas suas nervuras nítidas de folha,
-- E INCOMPREENSÍVEIS, INCOMPREENSÍVEIS.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008





Holliwood red

Dividido e culpado
Volto a dormir entorpecido.
Grito quando é dia
Amanhecendo negro entre as cores da vida.
“Hatful of hollow” Segue essa trajetória submersa
Copos vazios, alma lacrimosa
Juras de eterna afeição,
Nas ilusões e desvios do comportamento.
Flores vermelhas cortando a noite
Velas acesas no cemitério impuro
Juro ser útil à palavra,
Ao inutilizar o meu perfeito estado.
Dividido e culpado
Coroado, corroído
Cuspindo a excreção do cigarro
Hoje: Devo dormido durante horas.
Leva nos seus braços
Meu abraço transtornado
Meu olhar fora de foco
Meu fino comportamento diante de todos
O abismo que se abre agora:
Não, não é coisa nova
É um velho de barba e cabelos grisalhos.

Bruno Muniz