quarta-feira, 14 de julho de 2010


Não sigo

Jamais

Serei um de vocês.

Jamais

Tomaremos um papo cabeça num barzinho desses.

Não gosto

De citar nomes como, Jung

Pois não gosto de fama no que escrevo.

Sou louco pelo anonimato

O anônimo me deixa ligado

Por isso evito as setas,

Os exemplos

Ou escrever por indicação.



  • CALL

Dentro de um quarto apagado,
O consolo para a saudade é música dos mutantes.
Escrever, para quem e-x-a-t-a-m-e-n-t-e?


Acho que
Só amo quando gozo
Ou
Quando tenho a pretensão de tentar o gozo.

O que exatamente amo?
Foi tanto amor a emergir no torpe,
Que o mundo inteiro aderiu ao golpe
O meu amor fez-se escravo do tempo
E se acabou sozinho dentro de um quarto.

terça-feira, 13 de julho de 2010


Acho


Sou seu, às vezes

Às vezes sou certo.

Me dou a um só devaneio

E se ouso ser fácil:

É pra você que me atiro no fim da festa.

(B. Muniz)

segunda-feira, 12 de julho de 2010




Terceiro olho



... O café amargo que me transformei


E que sutilmente se uniu a minha vida sem açúcar.



Ando a escutar as mesmas vozes


As músicas de sempre


Fumando cigarro para matar o tempo


E me sentido cada dia mais pelo avesso.



Queria mesmo era me esconder dento de mim


(Encontrar a árvore)


Desativar de vez a reação as coisas


Sentar-me no cais e molhar meus pés com todo o silêncio do lugar.

terça-feira, 29 de junho de 2010




“Smiths’’ por algum motivo


De copo em copo acaba-se a noite

Smiths, o som de um quarto fechado.

Alguém que não vi

O prazer de não ter prazer algum.

Passos na casa apagada,

A água fria do chuveiro

O rosto de uma garota morta

Viva, num canto feio da memória.

Faço sexo com o desejo triste da solidão

Como uma maquina

Uma peça no lugar errado.

Estou ouvindo smiths.

Sim, estou sozinho

Smiths por alguém que não vi

Smiths por algum motivo.

Eu não imagino o que você pensa

Não tenho tanta certeza

Se te beijo ou estupro.

Víbora,

Lamentações,

Sua esclerose múltipla.

smiths sem alguém

Sem tua boca molhada,

Sem cigarro depois do sexo;

smiths e Paulo leminsky:

“na noite enorme

-tudo dorme

Menos teu nome. ’’ (Bruno Muniz)

(assista ao video how soon is now)

terça-feira, 4 de maio de 2010



Outro passado



Nada pondera sem o fio da quimera santa
nos teus olhos de fogueira sou queimado
além do vulto do passado,
além do ultimo trem para o subito enlace
canto para a noite e ouço o soluço, o vagido.

Solto no tempo e a mercê do tempo
volto os dias na ampulheta da ângustia
num momento onde eramos um altar de glória,
Onde o alto céu nos parecia intimo.

Nos vitrais quebrados,
Na neblina que trazia o frio supremo,
a fumaça do ultimo cigarro
E um elemento de alta rotatividade nas entranhas de penumbra.

É triste tentar trazer-te de volta!!!
Pois falta o mesmo ar no peito envelhecido,
Me falta as novidades do mundo erradicado
A boa noticia das marés de inverno.

Quando foi que a tua essência fez-se borra?
Vimos demais o quanto o destino nos puniu
O estar foi deixando de estar conosco,
O cambaleio da nossa separação foi inevitavel, oh vida suja!

Porque o tempo não parou para ouvir a suplica?
porque o céu mudou de cor e as vestes do espirito nos sufoca?

quarta-feira, 28 de abril de 2010



AZUL


Aqueles pretos olhos

Porto de porcelana

E os fios cortantes do cabelo ao rosto,

Quando sentido na minha pele excitada:

A pele tocada era entorpecente.

Aquele olhar doente e estranho

Cheios de becos mal iluminados,

De casas apagadas

E camas vazias.

Desejos que procuram os seus olhos.

Não me atrai o corpo

E sim o mundo submerso por essas águas de carvão.

Um olhar obscuro é de certa forma,

Uma presença indireta.

Como olhos cerrados,

Dia que termina,

Quarto apagado ou noite sem estrela.

Eram os olhos mais sem vida

A água que talvez

Fizesse-me molhar o rosto apenas

O fluido surreal cheio de maldades

Mas que goza e se revela numa flor de cor azul.



(Terei lembranças que você nunca saberá)

sexta-feira, 19 de março de 2010


Boate sound


(antes)

A fumaça dançante do café quente, o cigarro posto numa mesa de centro a uma meia luz. É o que vejo nesta sala sóbria. suas unhas vermelhas vulgares...
Ressaltando no escuro.
O cabelo em meu colo, forma violenta de usar a boca e a avidez com que escapa do jorro quente, orgasmo.


(hoje)

Daqui da janela nada me atiça, a boate sound com seus gays, viciados e prostitutas não contagiam, nem me incitam ao sexo como de costume.


Seu vestido verde solto, o salto médio... A aproximação constante dos olhos, mero instinto ou um novo desejo.No balcão, peço outra dose de vodca, o barman parece entender o que penso a seu respeito e esboça uma estranha tristeza e era uma sexta-feira.


Faz um ano que as coisas não vão bem. Pedidos perdidos, telefones manchados e sua presença cada vez mais vaga.O tempo me destrói, me mastiga e me engole aos poucos e aos poucos me embriago, animando-me um pouco com duas ou três músicas de David Bowie.


Uma garota me pede dinheiro, percebo no ato o quanto aquela vagabunda havia bebido na noite. Falo em seu ouvido “discretamente” pra que me aguarde no corredor dos fundos.


Ela sai, não diz nada e segue depois na direção citada por mim.Já cheguei pondo a pau pra fora!
Catei umas cédulas no fundo dos bolsos, Arranquei sua calcinha com violência, suspendi o vestido e a comi, ali mesmo.

De costas pra mim.
Um dos seios pra fora, segurava o dinheiro com a mão cerrada, a cara pra parede, abaixando com freqüência, sem forças para suportar o golpe brusco das estocadas.

A fumaça dançante do cigarro e a mesma falta de vergonha na cara. Volto pra casa com uma calcinha no bolso, um sorriso triste no rosto e uma marca de dentes no braço.

Bruno Muniz


(Assista Cristiane F.)

segunda-feira, 15 de março de 2010




SANTO AMARO EM TREVAS!!!



(Clique na imagem p/ ampliar)





FOTOGRAFIA DE PAKDERM

sexta-feira, 12 de março de 2010






(click e amplie)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


Essa tragédia descrita em pergaminhos

Esse destroço consignado na porta da alma

Eleva em luzes, senhor do silêncio

E acolhe o pranto dos náufragos.


Degenerando o regenerado

Descrevendo o passo do descrente

Lamentando por bocas que te obedecem

E sendo, por direito, o meu olhar atravessado.


Eu não quero saber de nada

Foda-se!

Você e sua personalidade

Seus problemas não são os meus

Eu. Sou. O meu problema.


Lua virada por toda a estrada

Minha estadia é feita de não submeter-me a hostis

O crespo e sedoso encaixe desses olhos

Ceda-me de fluidos que roubas na falta de roupas.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


À volta

A alegria de criança deu lugar à solidão de um homem.
A ilusão de nome, sonhos
Transformara-se em ferida crônica.

Até onde solidão se estende?
Quando a felicidade há de haver este dano?

Corpos que na noite são fisgados de forma tão sutil,
Tão má
Que o próprio cansaço os entrega.
Hoje:
É o dia que também caminha
Quando se para, ele segue
Quando se nasce, começa.