sábado, 31 de maio de 2014




Andar por andar

A sombra da cidade noite
Ruas molhadas com o refletir das poças.


O caminhante noturno,
De olhar vago,
Reflete.


Na ausência de um drink
Acende um cigarro,
Rua molhada
Todos os passos são cautelosos.


Em meio a um certo ar solitário
Algumas canções da Legião
Lembranças e cataclismo.


Andar, chegar onde não se sabe
Que seja um bar
Um trago e um gole
Medidas boemias enraizadas.


O caminhante noturno nunca sabe
Velho abraços, perfumes femininos
Crises existenciais,
Notívago tradutor dessa nostalgia veemente.

domingo, 4 de maio de 2014




 

 

Eta Carinae



As nuvens cobrem um pouco do céu
E as estrelas estão distantes, supernovas.

O olhar se resume em analise
Em tons escuros, de dias do futuro
Dias de sorrisos amarelos,
Fragmentos do acumulo vivido.

Do alto, a cidade tem um aspecto
De muros com musgos
De cansaço,
Cansaço por carregar um passado.

Vi atitude  extremas, transmutarem
Criando uma solidão menos palpável
Com uma policromia mais nítida.

A solidão é um tema antigo
O universo é um bobão!
Um misterioso indiferente,
Num mundo de caóticos e céticos:
Alguns tem uma intima relação com a dor.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014





Indeciso

 Gosto de você 
 Mas não exatamente... A ponto de... 
Talvez sim, se... 

Mas então, 
Foi inevitável transbordarmos 
Dentro do cansaço que o 'estar' nos causa. 

 Indeciso, eu penso 
 Pego o telefone e... 
Não sei! Será que devo? 
(Duvida..) 
Gosto de você Mas não exatamente a ponto de...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014


''Acordei superficial,
as nuvens não não esconderam a indiferença.

Acordei artificial,
E você não deu sinal, nem eu.''

sexta-feira, 26 de julho de 2013







Essa insatisfação veio,
me levou o sono
e a chuva concretiza o lugar que estou.

Imagino a alegria das salas e das famílias
tantas crianças felizes e outras tão tristes...

E o mundo agora é outro
E a criança que fui, morreu.

Não maldigo a vida
porque seus pássaros são belos,
o voo que admiro em terra firme..
e percebo que meus olhos conseguem voar mais alto que eles.

Não precisarei voar de um prédio frio
talvez num devaneio,
onde eu também possa estar sem roupas
caminhado calado,
sem respostas.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

 
 
 
 
 
 
O corpo mecânico

Soaria de forma linda
o estampido a despedaçar o crânio.

Mas sem a culpa
e sem a dor de possuir a dor.

''Com que direito o homem interrompe a vida?''
''Isso é um crime!''

Basta dessa farsa,
do caminhar decadente da sobrevivência carnal forçada.

Queria atirar na minha cabeça
Ser o algoz da culpa.

A culpa é a dor que a gente sente
A dor é a pior e mais sádica tortura.

domingo, 16 de junho de 2013




Solidão maconheira

Solidão é assim..
Fuma maconha,
ouve um som e pensa em mim.

Não?
Mas a minha é tua
o meu café é nosso,
você faz parte de um belo fracasso.

Solidão é noturna
o cigarro é protagonista.

Vem cá medir a consequência
diagnosticar a violência deste fato.

quarta-feira, 29 de maio de 2013






Sorria para o nu


As pessoas estão sorrindo em sua direção
mas você não entende, pois não parece ser pra você.

pra quem você está sorrindo?
Se diante do corpo nu
somente nu, de nada te serve?

Sim, elas são tão educadas
e eu sei o motivo, mas preciso guarda-lo comigo.

Cada sorriso que flagro
me deixa triste.

Diante da necessidade de vida,
de verdade...
Me deparo com sorrisos.

Eles me parecem tão reais..
mas diante de um corpo nu
são cruéis e indiferentes.

Foi assim que entendi a maioria dos sorrisos
observando qual a verdadeira direção que eles tomam
existe o sorriso preso e materialista
e existe o sorriso do louco:
Aquele sem rumo, que nasce puro e morre só.

quinta-feira, 9 de maio de 2013



  




Poema para depiladas.


E o campo verde
    Que me pareceu pelugem

          Era vertigem
                 liso feito mármore.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

 
Saudades sexuais
e o clichê
do macho que te ama

penetrando-a.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012






Depois de sodomizar a mulher amada
O macho alpha aprecia uvas roxas embebidas em mel.
Nu, expõe seu falo adormecido,
Embebido no pólen da buceta já exausta.

Ao vento,
O Desbunde ébrio do santo rabo escorrendo gozo, Visualiza
 O então saciado.

terça-feira, 13 de novembro de 2012



O passado irá te visitar
Ele trará velhas lembranças
De coisas quase mortas na existência.

Estradas e finais de tarde,
Noites de lua e mar...
O passado traz até o gosto fosco,
Desalinhado e desnudo
Das manhãs.

Talvez num momento reflexivo
De volta habitarás um dia que se foi
Teremos juntos a mesma lembrança
Do gosto fosco
Desalinhado e desnudo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

 
Pós-moderno

Por trás do computador, ele era Helena.
Homem de 21 anos e mulher solteira com 30.
Junior era um rapaz rebelde, mamãe e papai obtiveram conjunctivitis diante do comportamento.
Helena buscava um argumento sólido,
Junior admirava garotas e seu fascínio era pelas mãos.
Uma punheta era o que ele as permitia fazer.

Um resultado da influencia pós-moderna
Ele era um glam mutante, fruto do século XII.

Andava de bota de couro rosa
Era tão viciado em cocaína, quanto aos punks e headbangers.

Junior não tinha limite...
Fumava de forma agressiva
Era um resultado vivo do filme ‘Cristiane F.’
Junior era laranja mecânica,
Junior era triste e seus pensamentos eram sujos.

Se dizia cansado de hollywood, optava por Lucky strike...
Chutava e golpeava com o cotovelo como ninguém,
Adorava quebrar braços.

Helena era fã assídua de lâminas, arma branca...
Arremessava gilete; dava a elza
Dava na cara.

Helena e Junior:
As duas faces da cidade
A depender do astral, ia no cara ou coroa.

domingo, 21 de outubro de 2012






Escolhendo vitimas

Transeuntes de todo tipo
Pretos, brancos, riscados, homem... Mulher
Luzes e movimentação.
- A presença daquela jovem me incomoda.

São sempre jovens moças
Elas circulam em todos os lugares
Algumas se aventuram na noite e quase sempre estão bêbadas pela calçada.

As observo a distancia...
Elas fazem de tudo um pouco.
Algumas até se beijam em público. Dá para ver a língua.

Me camuflo estando livre
Peço uma bebida e sento-me próximo
Afinal, ninguém sabe quando a morte chegará.


Convivo com esse fantasma a alguns anos...
No antigo álbum, nas redes sociais, ele se manifesta de forma mais triste.
Para mim,
Lógico.
Pois, daquelas imagens sem alma de uma pessoa ‘off line’
Está ali, o espirito de alguém entretido em outra atmosfera
Ou talvez dormindo em casa...
Ou por aquelas ruas, vivendo...
Vivendo sem mim e sem ao menos lembrar-se de mim.
Considero as aparições dela nas redes sociais,
Como reflexo de um fragmento
Um fragmento que ganha vida ao se apresentar
E dentro de mim expande-se,
Tortura-me na não certeza de saber o que significa.
Esse fantasma dorme comigo
Nem sempre ganha força.
Mas sei que é quando dorme
E quando acorda
Que ele me pesa os ombros.