segunda-feira, 6 de agosto de 2012




Onde está o corpo?
(ondas)
Estranho, esse silêncio...
De onde se encontra o desejado.
Onde está o corpo?

Em meio a muitas letras
Em fotografias antigas
Com o mesmo silencio de um corpo aflito
Agonizando pela tradição dos rumos.

No final das contas
Não há corpos.
Amores?
Só nas flores de quem as deixou em ‘’vida’’.

segunda-feira, 30 de julho de 2012


 
جوزتيأناو ن

A tua presença vaga
Volta e meia me ataca,
Ronda minha vida e acelera esse coração bandido.

O beijo quente
As mãos rápidas e famintas
A língua...

O passado não existe quando você é a lembrança
E quando é presença,
Até em público eu tiraria a roupa.

Que venha a explosão
Que seja constante
E que jorre longa, a minha chuva no teu universo.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

 

O vazio te preenche e tu não o envolve num abraço
e mesmo que tentes
ele te desprezará.

cada amor que te lançou na lama,
exibiu o teu coração em praça pública.

cada feto entrelaçado em cordas
os mesmos que boiaram mortos nos canais da tua cidade,
estão sorrindo no inferno que acorda com a remela dos teus olhos.

cada esquina onde os teus pés irão pisar
trará a angustia do existir que te sufoca

e mesmo que tu o envolva num abraço
a faca fria dos dias, fará real
a visão do seu sangue coagulado no chão sujo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012






Meninas artificiais
Como suco de pacote
Embalado para presente.

O bar é uma farmácia moral
O túnel do ilusório onde as horas passam
Reverte-se o oco
E põe-se a vida oca a transbordar.

Diante da falta de assunto,
Ergo copos de vinho
Retruco aos presentes:
pela manhã, eu sempre optei por cama.

quarta-feira, 20 de junho de 2012



O encontro com sucubus


Meu pau tinha sido chupado durante a noite
Acordei cedo e percebi que estava babado.
Alguém me chupou enquanto dormia...
Era uma boca rosada e ávida
Chupando e forçando contra o céu da boca.

Senti o latejar no sono leve
A mão macia sobre a coxa
O barulho do chupar
O esporro descendo garganta adentro.

O acariciar dos testículos
Punhetando lentamente
Hora com a mão
Hora com a boca.

terça-feira, 19 de junho de 2012


Umbral

Cacos sombrios
De casos de morte.

O arrebol dos gemidos de angustia
Ao cruzar uma esquina, cada passo se reinventa.

Laços desatados.
Desertores mudos dão um rumo ao seu renascimento
Pessoas recebem flores,
Flores com câncer, flores doentes...
A mão que tece a noite,
Adentra cada moradia e invade corpos embebidos no sono.




A tua centelha é lançada aos porcos
E o seu vômito é servido como néctar para o crescimento dos vermes.

Dê-me tua mão!
Você precisa entender a dor
A dor de um corpo lançado no abismo
A dor de um tiro atravessando a espinha.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012



Midnight


Quando estive só, você não soube me fitar na solidão. Quando você dançava na noite de introspecção, era eu quem caminhava na madrugada densa, perdido, consumido por todo tipo de dor e abatimento.

Ao decorrer dessas noites e finais de tarde, o por do sol foi o único amigo que tive... Não entendo o motivo, a causa, o ponto exato pela sua companhia cheia de amor e depois o corte certeiro no meu pescoço. Aquilo que esguichava era sangue, meu bem. Foi um ataque quase que letal, se não me tivesse ficado também o vicio pela noite.

Corri os lugares mais estranhos da cidade, caminhei calado... Sempre com meu cigarro de filtro escuro e poucas doses de álcool. Era sempre bebida quente; era a única forma de aquecer aquela falta que me levava cada vez mais longe, dentro daquele abismo sem igual que passei a dilacerar o meu espírito entristecido.

Conheci pessoas, acordei com elas... Era sempre vazio o espaço, o motel, o apartamento daquela psicóloga, daquela prostituta... A casa daquela mulher casada, o olhar de despedida das que me amaram.

Olhei para o meu passado e vi gloria, vi um rosto apagado, um corpo deteriorado, mas que mantinha, mesmo depois de um ano, um lugar aberto um pouco acima do estômago

Foi assim que fiquei depois que você se perdeu de mim... Talvez você tenha partido por inteira, e tenha levado consigo um pedacinho de mim que não consegui resgatar.

Depois de exatos ‘um ano e quatro meses’ te encontrei numa rua deserta que eu sempre circulava pra fumar um baseado e (raramente) cheirar um pó, quando ela ‘a aflição’ aquela aflição que te ditei de trás pra frente, vinha machucar meu coração.

Foi numa noite de sexta. Caminhava eu com meu cigarro de filtro escuro, chutando pedras, um zumbi! Foi nisso que me transformei.

Reconheci seu rosto e parei quase no final daquela rua onde você atravessava e não via que levava um pedaço de mim, que acabei por descobrir que já fazia parte da poeira do passado, Algo que eu não recuperaria.

Não sei dizer exatamente ‘quando’ foi apagado da minha memória o momento em que você me reconheceu e parou, pouco mais que dez metros de onde eu tinha deixado os passos no freio... Nos olhamos. Eu, de imediato estanquei minha capacidade de raciocínio, abaixei a cabeça e caminhei até escutar meu nome.

Depois de um ano e quatro meses, você veio fazer o que? O que me leva a entender o motivo desse encontro?

Foi à pior coisa que poderia ter me acontecido. Você perguntando:

E aí, como é que você ta?

(abraçada comigo)

To bem...

O que você tem feito?

Muitas coisas...

Você sumiu. Liguei-te algumas vezes e dava sempre caixa.

É eu me desfiz daquele chip.

[o rosto dela era o mesmo de antes e a fenda estreita gritava e transbordava sofrimento...]

Bem, eu preciso ir andando. Tenho que apresentar um projeto amanhã cedo.

Ok senhor, foi bom te ver!

É, foi legal te encontrar também.

Andei e virei à esquina com o coração nas mãos.

(meu nome...)

Meu olhar. O telefone estendido e rabiscado num papel, meu corpo paralisado. E assim fiquei por quase meia hora sentado no batente daquela esquina com meu cigarro de filtro escuro, apagado.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011



Depois da visita a casa da mãe com um amigo, ficou tudo claro para o amigo ao abrir o jornal no dia seguinte.
Pasmo com a realidade ‘cômica’ envolvendo a mãe do pobre amigo, ele desacreditava toda vez que lia o anuncio no jornal.
Esse anuncio foi visto pelo pobre filho, no facebook.
ANUNCIO:
Olá, me chamo lua e estou cheia de luz para iluminar a sua entrada.
Anal: 150,00
Boquete: 25,00
Oral: 50,00
Na bucetinha, bem normalzinho, cobro 100,00
Tel.: 8200554*

(Então cara, essa não é a dona Luana?)


Você me tira o desejo que sinto

Estraga cada momento...

Age de forma que me deixa triste,

Mas ainda assim não te esqueço.

Você consegue acabar minha noite

Acabar o que guardo,

Faz-me jogar-te fora e eu obedeço.

Você tira tudo de bom que abrigo

Faz-me desejar estar cada vez mais longe

E é de longe que aceno,

É de longe que te vejo cada vez mais distante.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011





Argila


Dá vontade de brincar com você

De manhã,

Na cama.

Deu vontade de sentir prazer

Mesmo que não frutífero

Azar.

Deu vontade de olhar pra lua,

Acender um cigarro...

E pensar.

Para não temer a ausência

Nem a distancia

Que sempre se atrasa, mas que nunca abandona.